Com dezenove anos tem muita coisa que eu ainda não sei da minha própria vida, ou de mim mesma. Não sei se continuo pela arte, não sei qual gosto tem a jaca. Mas pra mim é importante não saber disso, são novas chances, novas portas pra se abrir. E se eu adorar doce de jaca? Vai saber! O importante é tentar e se divertir com isso.
Eu não sei te dizer exatamente o que mudou, ou o porquê. Mas é divertido que assim o seja. Aprendi da maneira fácil o quanto (e quantos dos) meus amigos cuidam de mim, o quão simples é ter responsabilidade; Consegui cativar o coração até daqueles que em um primeiro relance não gostaram de mim; Entendi que ficar sozinho e ser sozinho são coisas diferentes, e que um não necessariamente quer dizer o outro. Até porque as vezes precisamos de um espaço próprio, e eu sempre fui muito fã do meu universo particular.
Entendi que meninos e homens são completamente diferentes, e que também eu, justamente eu, era muito mais menina que mulher. Ainda sou. Não são números a mudar isso, na verdade. Também vi que a verdade magoa, mas sempre preferi tirar o band-aid bem rápido das feridas.
Ganhei muito dinheiro em um mês, gastei tudo aprendendo que eu não preciso ficar esmagada pra apreciar um concerto, e só tive 30 reais pra comer por uma semana inteira. Mas também aprendi que um bom vinho, vento de chuva e música não substitui prazer nenhum nessa vida.
Pintei, bordei, corri, lutei, suei. Desisti de coisas que me eram ruins, por escolha própria ou não. Conquistei coisas que me eram boas e fiz muito daquilo que me faz bem. Não o suficiente ainda, há muito mais que quero melhorar. Há muito ainda que quero fazer, mas tudo bem, porque a vontade de fazer tudo isso é enorme.
Só desejo pra mim nessa nova década da minha vida muito mais do que eu tenho agora. Sinceramente, eu não quero mudanças. Digo, claro que eu as adoro. Mas no momento eu quero complementação. Consolidação. Crescimento. Não quero mudar quem eu sou, e porque iria querer? Eu amo essa pessoa! Que ideia! Quero regar as sementes boas que já existem dentro de mim. Eu sei quem eu sou. Posso não saber exatamente o que quero, mas gosto do caminho que tomei, muitas vezes, nessa última década. Tô de bem com a vida, tô de vento em popa, tô feliz pra burro, tô assim com o mundo!
Sabe, quando eu tinha 12 anos, eu imaginava que ia ser tudo maravilhoso aos 20.
E quer saber? É mesmo.