setembro 27, 2012

Outro

Hoje eu tive um outro rosto,
Provei um outro gosto que não era teu.
E o teu doce na minha boca não está
Não sei mais o que me satisfará, quando souber de quem fui eu.
Pensei até em desistir.
Mas quem haveria de deixar aqui?
Você iria apenas assistir enquanto eu caminhasse.

Eu queria que você soubesse, não pra te doer
Ou pra te assustar, que algo aconteceu.
Um outro braço me aquece
enquanto tentas não me ver, Romeu. 

Do lábio que tive, meio sem querer
Foi desproposital, só pra você saber, o que fiz
Eu na verdade nem ao menos vi.
Aconteceu.
Mas eu me pergunto amor,
Porque um outro gosto, que há tanto não quero
Me faz pensar tanto que me desespero
E me pego tendo loucuras e dor,
Muita dor.

Porque naquele beijo, meu bem
Havia algo que o seu há muito não tem.
Carinho. O tipo desesperado e feliz
De quem tá tão feliz que não liga pro que diz
Só quer amar e ser amado.
Ah, amor. Você já esteve nesse estado?

Entende agora minha confusão
Justo eu, presa entre o que não quero e o que amo
Quando o que me quer faz tanta questão de mostrar
E o que amo quer apenas resolver todo o engano
Sem nem me contar
Se é por querer
Ou por ser o melhor a se fazer.
Ah, mas que coisa. Amar.
É mesmo uma desgraça.