setembro 27, 2012

Balanço da praça

Ah meu bem, o meu amor eu te dei, dei aquilo que pude e comprei tudo que já não dava mais pra buscar. Eu fiz sozinha uma música, eu te enfeitei num quadro, te costurei na minha pele.
E você aí, amor, parado, descaso, cansaço, atraso.
Foi assim que aconteceu então, meu bem? Nas confusões e desencontros algo se perdeu e você jogou pro alto, naquele dia, eu lembro, onde entre as passadas pesadas no vento quente do verão o nosso amor acabou. Só haviam lágrimas, lástimas, máximas de egoísmo e pedidos de perdão, implores inúteis que viraram devaneios conforme a manhã chegou.
Cada um no seu caminho, você a pé e eu de táxi, assim acabou a nossa história.

Foi assim então, amor? Acabou? Já deu. Que pena. 

As lágrimas que derramei não foram em vão, nem as cicatrizes que deixou e também levou. De tudo na vida, algo há sempre de se aprender. Mas a questão é que eu não quis te perder, mas e adiantou? Alguma coisa? Uma sequer? Não?

Que pena.

Eu gostaria de voltar, amor. De ligar de novo, sentar no banco de novo, girar meu vira-tempo e voltar as 10 da noite, onde nada tinha acontecido. E ao invés de ouvir, apenas dizer.

O quanto eu me importei com você. O tudo que eu fiz pra te ter. O quanto eu te quis, o tanto que te amei.

Quem sabe assim, amor, você tivesse ficado, sem proferir uma única palavra.

Mas já dizia um barbudo meu, e se eu fosse a primeira a voltar e mudar o que eu fiz, quem então agora eu seria?

Quem então, amor, a gente seria?
Quem então, amor, você é?
Quem então, amor, eu fui?