setembro 28, 2012

Com o peito aberto

     Pois eles dizem que quando tudo tá cinza nesse mar de prédios tem sempre alguém pra colorir teu céu.
Eu sei que sobre isso, ao mesmo tempo que sou muito 80 pelo lado de fora, sou muito 8 pelo lado de dentro. Eu chamo todo mundo de amigo, falo com o primeiro que sentar ao meu lado como se conhecesse o tal há anos, mas a verdade é que eu me sinto sozinha. Isso não é uma novidade e/ou raridade na nossa sociedade sociavelmente introspectiva, onde estamos sempre rodeados de pessoas do mundo todo mas no âmago da nossa existência nos sentimos mais sozinhos que os animais que extinguimos só pra salvar a nossa pele ou deixar nossa casa mais bonita. Mas isso é um tema que eu posso abordar mais tarde.
     O que quero dizer é que sempre esperei nada ou muito pouco das pessoas e do mundo para não me decepcionar. Eu sei que antigamente eu era uma tremenda de uma Pollyanna que sabia jogar o Jogo do Contente com quase tanta perfeição quanto a dona dele, mas você cresce e isso dói um pouco, tanta frustração e desapontamento, ainda mais se você quiser arrumar um bom motivo para isso acontecer. Uma hora os motivos começam a ficar mais e mais pessimista e quando vê, pronto, você é um adulto comum, nenhum resquício da menina linda e sardenta que cativa tanto minha filosofia de vida. A ironia nisso está justamente no fato de que sendo assim, eu tentei dar tudo de mim. Ou pelo menos era assim no começo.
     Bom, em uma discussão com minha mãe, ela me fez uma pergunta que se tornou crucial na minha vida, "você acolheu alguém, Carol?". Eu não soube responder. Ainda não sei, pra ser sincera. Eu reclamo da minha solidão e da pequena e constante frustração pelas pessoas me darem exatamente aquilo que eu espero delas, ou seja, nada, que não acolhi de fato ninguém. Eu gosto de ajudar, de ouvir e ofereço um abraço e ombro amigo sempre que posso. Mas eu realmente acolhi alguém?
     E alguém, me acolheu?
     Eu não sei responder nenhuma das duas perguntas, e tenho a ligeira impressão de que só saberei essa resposta quando estiver no leito de morte. Mas eu vim abrir o peito pra dizer que eu vou tentar. Eu vou tentar acolher e ser acolhida. Porque quando tudo esteve cinza, houveram pinceladas tímidas que cada vez maiores pintaram um lindo céu azul com nuvens fofas na minha vida. E eu gostaria de retribuir, saber mais e pintar um Sol na vida delas. Não preciso citar nomes, até porque, cada um fez do seu jeito. Me abrigaram, me ligaram, me chamaram pra sair, ouviram meus problemas e leram minhas longas bíblias e devaneios. E por isso eu agradeço, mas muito mais pelo simples gesto de se importar.
     Eu estava mesmo precisando disso, ser amada. Acho que todo mundo precisa de uma super dose em algum ponto da vida. Obrigada, meus caros, por me fazer sentir como uma pessoa amada.