O salto alto desgastado, a própria cria desgarrada, o namorado atrasado. Você põe a mão na saia, moça, e eu aperto o coração.
São as pernas que andam, os cabelos que cantam e os olhos a vagar pelo finito do seguir do dia que me pegam, me prendem e me cercam, a todo lugar que eu vou. Há uma cintura diferente, um mar de tanta gente que eu quero tanto olhar pra tudo!
Cada uma balançando os cachos, alisando os fios pretos, prendendo a cabeleira loura, mordendo a boca pelo atraso e suspirando de aflição. Olhando o relógio, pensando na noite, pensando no trabalho, andando na praia.
São tantas diferentes de uma beleza tão desigual que eu me perco no tempo, passo as horas observando teu óculos, teu batom vermelho, tuas sardinhas no rosto, as sobrancelhas que se juntam e o sorriso que se abre. Um aqui, outro ali.
Lembraste de alguma piada, é? E nem para me contar! Ah, mas que descaso...
E o mais belo é que eu não sei quem são. Não preciso de nomes, número de filhos, valor do contracheque, nome do perfume ou idade na certidão. Eu só sei que são minhas musas, as mulheres de todo dia, que andam e sorriam como se a vida fosse bela, mas justamente porque ela é, e cada uma sabe disso. Cada uma ilumina o dia e aquece a noite, sendo apenas quem são: mulheres. Comuns, eu, você, sua vizinha, sua prima, mulheres.
O ser mais bonito que esse universo vasto já viu. Só mulheres. Deusas gentis e raivosas, apaixonadas e sentimentais, frias e cuidadosas, sinceras em tudo que fazem, mulheres, apenas. Que correm pra sua rotina, que fogem das rugas, que aceitam os cabelos brancos, que passeiam com os cães, que estão sujas de massinha, com a blusa remendada e todo o tempo pela frente.
Porque ninguém seria alguém se não fossem vocês, as belas mulheres do nosso dia-a-dia.
Então obrigada pela inspiração, Amélia, Gabriela, Carolina, Juliana, Maria, Carina, Anne, Sara, Júlia, Tatiana, Bárbara, e tantos outros mil nomes.
E um último brinde às mulheres do dia-a-dia, àquelas que sabem amar.