De cara, digo-lhe que sou amarela, salpicada de redemoinhos de um rosa-choque mais que vivo. Doo parte dessas tulipas alegres a qualquer passante. Aos alegres, um buquê cor-de-sol. Aos tristes, um buquê cor de morangos. Aos semelhantes, observo. Sou uma tulipa à procura de tulipas. Em meu vasto campo verde, uma nova semente é plantada. Em minha vida de botão, vi poucas sementes ao meu redor. Destas, nasceram cravos, lírios, margaridas. Umas foram arrancadas, levadas em vasos; Há também um precioso girassol do qual só torno a ver o negro e macio miolo ao entardecer, quando este esquece sua obsessão pelo sol.Mas ainda, poucas sementes vi chegar.
Você deve perguntar-se, no meu campo de tulipas, onde encontra-se esta parte diversa. Aponto-lhes tulipas. Muitos não entendem, passantes só as querem numa mão. Claro, essas "tulipas" preciosas, de forma alguma lhes permito sequer tocar. Mas importante são as sementes. A cada semente, uma nova loucura interna. "Será que vai nascer?" "O que será que irá nascer?"
A você, alegre passante, nova tulipa, lhes mostro o segredo do jardim. Meus bracinhos verdes, finos, puxam um pequeno brilho dourado. Puxo o zíper. Ao que véu-fantasia cai sobre os pequeninos espinhos, um pequeno botão. Uma rosa azul.