novembro 11, 2010

Flor hipotética

Pergunto-me se algum dia um indivíduo no mundo ansiará por esse vermelho-sangue vivo escondido entre um moreno apagado. Antes que me venha com ladainhas, ó amado superestimado subconsciente, não falo em especial daquela tal bandeira nacional (já velha conhecida). monologo sobre rostos. Monologo sobre cores, estampas, efeitos, aparências. Dialogo sobre monotonias. Monologo sobre monólogos.
De cara, digo-lhe que sou amarela, salpicada de redemoinhos de um rosa-choque mais que vivo. Doo parte dessas tulipas alegres a qualquer passante. Aos alegres, um buquê cor-de-sol. Aos tristes, um buquê cor de morangos. Aos semelhantes, observo. Sou uma tulipa à procura de tulipas. Em meu vasto campo verde, uma nova semente é plantada. Em minha vida de botão, vi poucas sementes ao meu redor. Destas, nasceram cravos, lírios, margaridas. Umas foram arrancadas, levadas em vasos; Há também um precioso girassol do qual só torno a ver o negro e macio miolo ao entardecer, quando este esquece sua obsessão pelo sol.Mas ainda, poucas sementes vi chegar.
Você deve perguntar-se, no meu campo de tulipas, onde encontra-se esta parte diversa. Aponto-lhes tulipas. Muitos não entendem, passantes só as querem numa mão. Claro, essas "tulipas" preciosas, de forma alguma lhes permito sequer tocar. Mas importante são as sementes. A cada semente, uma nova loucura interna. "Será que vai nascer?" "O que será que irá nascer?"
A você, alegre passante, nova tulipa, lhes mostro o segredo do jardim. Meus bracinhos verdes, finos, puxam um pequeno brilho dourado. Puxo o zíper. Ao que véu-fantasia cai sobre os pequeninos espinhos, um pequeno botão. Uma rosa azul.