O cheiro do papel plastificado e novo me chama a atenção; ah! Não há nada como cheirar o seu futuro.
Pego a folha em branco, preparo o lápis, mas perco a borracha entre meus lençóis coloridos carregados de memórias. Rabisco. Apago. Refaço. Frustrada, pego minhas criações pretas e brancas e olho o multicolorido conjunto de papéis e comparo. Tudo vai ao ar, é o desespero que enche meu coração.
Desisto. A fria tela me acolhe, iluminando um azulado esquisto em meus olhos, já alienados. Meu coração é persistente.
Volta às listras e bolinhas, um novo papel na prancheta, Destruí a natureza. E o fogo me domina novamente.
Disseram-me que sou tola por trilhar meus caminhos. Dicordo. Disseram-me que poderia ser feliz em uma montanha de papéis azuis, alaranjados e rosados, rostos e números espampados. Discordo.
Não se come papel, não se ama papel, e o mundo está atolado de apaixonados -mais até que eu. Me frustro novamente.
Me disseram que tenho que olhar e buscar aquilo que a sociedade carinhosamente apelidou de "futuro". Mas, aliás, alguém aqui sabe o que são escolhas?