outubro 21, 2010

Multiverbos.

A mente vazia, o coração vazio, os olhos cheios de esperanças infundadas e sonhos não realizados.
As pessoas ao meu redor, sem ambição -e no entanto, nada puras- me chamam a atenção. Não olho. Não quero. Não preciso. Eu, que insa-intensamente vivo e corro da maneira mais louca e aleatória que consigo, sinceramente, não me interesso em indigentes inconsequentes.
Mas e elas, alienadas de uma jornada já rodada por mídias influentes, me vêm falar de algo sensacional, banal: aquele com A, você conhece muito bem. Aquele tal de amor, o tão famoso amor.
Irrito-me facilmente. Corrijo-as mentalmente, para que não sigam errôneas no significado insignificante da palavra. Não é uma palavra, é um verbo. Amor é um verbo.
Ele se flexiona à sua maneira, e muitas vezes erra, por falta de conhecimente. E alguém te corrige, e te ensina. Amor é o verbo mais difícil da língua portuguesa. Amor é um verbo que as pessoas preferem usar sinônimos.
Amor, no entando, é um verbo que não depende de artigos, e de gênero, número e grau, ao contrário do que pensam muitos.
Ame. Seja amado. Dê amor. Veja amor. Distribua amor. O amor está em todos os lugares, de todas as formas. Não negue sua língua natal, não negue o melhor verbo-substativo-ideológico-persuasivo-adulterado do mundo.
O vocabulário para falar me falta. O coração, não.