Antes que tudo se misture eu me separo, na vã esperança de que isso me dê alguma integridade restante que possa ser só minha e de mais ninguém, algum ponto no tempo e espaço que possa ser só meu, só eu, pra olhar de longe como um museu, cheio de obras lindas que eu só tenho metade das ferramentas para interpretar.
Esse aqui é o meu museu e eu trabalho de curador, artista e público. É um trabalho solitário mas quem mais iria fazê-lo?
Eu escrevo canções de amor porque é tão difícil, como falar da minha tristeza sem mostrar a miserabilidade que mora aqui dentro. Não quero que ninguém veja meus episódios, a tristeza e a mania, saudade e euforia se misturam e eu não sei mais quem é quem, qual é o que. Antes que o dia fique azul, eu preciso contrastar as outras cores, antes que eu me perca delas sem qualquer pista ou direção de onde ir ou procurar. Essa aqui é minha tela. É uma obra prima sem final mas quem mais iria pintá-la?
Eu escrevo repetido porque um dia eu vou aprender a seguir em frente.