agosto 16, 2013

Soneto ao relento

Sentados nos lençóis e a música toca, entorta
Tal sentido incerto do desejo. A gente canta
A dois o dia, teu tenor sabor me acerta
Em cheio e em meio ao espanto fico tonta

Luzes apagadas, cores na tela, cabeças a par,
No filme tem gente dançando e te sinto acanhar
Carinho manso no balanço do meu seio
Será capaz de me roubar um sorriso se bobeio?

Na suave lírica da volúpia eu te vejo
Musicando o abafado som do doce cicio, arquejo
E no nosso vicio inicio outra vez

De olhos cerrados, eu vi, um beijinho sonolento
Veio de encontro, sem tento, a minha tez
Tremendo enquanto a gente dorme junto ao vento