fevereiro 18, 2013

Agridoce


Com um beijo na testa se despede e meu cabelo fica desarrumado pela sua mão, voando ao vento quente que corta o rosa do meu rosto. Eu viro para trás, pesarosa, e você atravessa a rua, seguido pelos meus olhares carentes que te desejam um pouco mais.

Com um abraço e um sorriso te recepciono, e fico sempre desconcertada pelo seu sorriso e a voz que sai detrás dele, ela, para mim, é aconchegante como um cobertor num dia de chuva, só faltaria o chocolate quente na minha mão, e porque não? A gente podia tentar.

E cada vez que você pega na minha mão eu seguro um sorriso tímido, um risinho de criança que eu tento esconder pra não parecer boba demais, uma criança qualquer de encontro a um parque ou ao mar. Mas veja só, meu bem, eu nem sei como te contar, mas... Bom, eu acho que isso é amor. E se não for, olha, não sei mais o que é!

A gente vai andando devagar e sem rumo numa rua de sonhos que me parecem dar sempre nos seus, meus lençóis, e a gente se abraça mais um pouquinho, até briga mais um tiquinho. Mas aí tudo fica bem, mesmo que passe um chororó, você me beija e diz que pronto, acabou, e o mundo é bonito de novo. Bonito que nem a gente, eu acho.

Eu digo isso, assim pausado meu bem, que é pra você ver que devagarinho a gente vai andando, um dia e um passo de cada vez, uma conversa e um chá a mais e a gente vai vivendo, assim, pausadinho, um casal esquisitinho, foi o que disse a minha mãe. Mas não liga não.

Eu digo isso, assim calada, que é pra você ver que cada dia é um novo raiar do nosso velho sol, pra você ver que debaixo do meu lençol, do outro lado da cidade, tudo que eu me lembro é do seu gostoso gostinho agridoce.