Tento tanto ir a algum lugar pra ver o mar
E morro sem nem tentar mudar o percurso.
Tão curto é o barco, tão grande é a fé
Faço um laço no teu crer e levo comigo.
Pelo sim ou o olhar, não me perco no querer,
Sigo reto e sempre em frente
Aninhada no meu casulo inseguro.
Se há de pedir que seja amanhã
Se fui de correr que fosse um sonho.
No que ando de um lado pro outro
Sempre a algum lugar, nunca por acaso
Vejo você como só o ego faz, conheço tua alma e roubo o que tiver
A oferecer, pra mim, você, tanto faz, aquilo que der.
Mas eu ando sempre por aqui. Por ali. Pra cá.
Pra lá.
Sem saber onde chegar nem lembrar de onde partir
Sinto o cheiro do mar de salgadas lágrimas de leite derramado
Assim, sem cuidado, você pisa e é isso, já foi.
Mas só eu vejo.
Andar me dá o que ver e me tira o que querer
E se você ainda quiser se aventurar
Vá lá. Me esperar. Eternamente naquele lugar
Que um dia você prometeu estar.
Mas não esteve. Eu vi.
Você não esteve.
Mas tudo bem, porque eu também não estive.
Eu ando eternamente
Nessa vida de inconstâncias.
Sou um nômade, um cigano
Eu leio tua mão, teu coração
Teu sim, teu não.
Porque eu quero. Porque eu vejo.
Porque eu chego.
E mesmo que dê meia-volta
Eu disse, amor, eu atraquei no mar e me afoguei nas bolhas
Eu vim só recuperar o teu amor
A fé que um dia eu dei a ti
Pra decidir o que vou ser.
Mas é pra me aguardar.
Te vejo em seus sonhos
Mesmo que eles sejam pesadelos.